Era uma quarta-feira. Viagem marcada para visitar um cliente em outra cidade. Acordei cedo e fiz minha rotina normal. Na hora de pegar o carro na garagem o Renault Megane brilhava por causa da cera. Um pouco mais de lado aparecia apenas uma parte do paralama do Dodge Dart. Quase dava para escutá-lo me convidando para a viagem como quem promete um dia mais agradável. Claro que aceitei.
Foi a primeira vez que me arriscava ir mais longe com o carro. Conferi água, óleo, pneus, documentos, tudo ok. Girei o motor que roncou sem esforços. Meu passeio começara.
Demorei 1 hora para conseguir sair da cidade. Problemas de uma pequena metrópole, encarei dois acidentes no caminho. Ao pegar a estrada, o Dodge pôde respirar melhor. Um dia bastante agradável, uma estrada de pista dupla e um Dodge: hoje promete!
Andei bem os primeiros quilômetros, até parar em um posto. "Pode encher" falei para o frentista que olhava atônito o carro. Poucos carros modernos conseguem tamanha atenção. Tanque cheio, vamos ao caixa pagar. Cometi o erro de sair para a viagem sem nenhum real no bolso. Sem problemas, tenho 2 cartões. O primeiro foi bloqueado pelo banco (vou na agência ver porque). O segundo era de uma bandeira que eles não passavam. Agora enrolou o meio de campo, pensei. Aí entram as vantagens de se ter um carro antigo: carisma. A gerente do posto perguntou de onde eu era e se ia passar lá novamente. Respondi que sim. Então ela pegou uma notinha e começou a pedir meus dados. Sorriu, me entregou o papel e disse que na volta eu acertava. Foi a primeira vez na minha vida que eu comprei gasolina no pavoroso método "fiado".
Bola pra frente. Com os vidros abertos, o Dodge engolia as subidas como se elas não existissem. O clima nublado até que combinava com a cor sóbria do carro. Faltou apenas o rádio estar funcionando para eu curtir o momento com o melhor do rock.
Engraçado era ver
Fui, atendi o cliente e voltei. Viagem 100%. Pontos para melhorar no carro? Claro que existem. Mas eles com certeza não segurarão o velho e bom Dojão.











